Novas regras de herança em debate no Congresso: o que pode mudar no direito sucessório brasileiro 

As propostas em discussão no Congresso podem mudar o direito das heranças no Brasil. Entenda o que está sendo debatido e como essas mudanças podem afetar famílias e patrimônios. 

O Congresso Nacional discute alterações significativas no Código Civil brasileiro, especialmente nas regras sobre herança e sucessão. 
O objetivo é atualizar a legislação às novas dinâmicas familiares e sociais, incluindo situações como uniões estáveis, casamentos múltiplos, relações homoafetivas e herdeiros digitais. 

Mas o que, na prática, pode mudar para as famílias brasileiras? E como isso impacta o planejamento patrimonial e sucessório? 

O que está em debate? 

O projeto de reforma do Código Civil propõe uma revisão das normas de sucessão para torná-las mais justas e adaptadas à realidade atual. Entre os principais pontos em discussão estão: 

  1. Ampliação dos direitos de companheiros em união estável, equiparando-os aos cônjuges no casamento civil. 
  1. Flexibilização na ordem dos herdeiros, permitindo maior liberdade de escolha sobre quem receberá os bens. 
  1. Maior autonomia no testamento, permitindo que o autor da herança disponha de até 50% do patrimônio livremente (hoje, apenas 25%). 
  1. Atualização sobre herança digital, abordando bens virtuais, contas online e ativos digitais. 

Essas propostas buscam refletir um Brasil mais plural, onde as relações familiares assumem novas configurações, e o direito precisa acompanhá-las. 

Por que essas mudanças são importantes 

A legislação atual, de 2002, já não representa a realidade de muitas famílias. 
Casais em união estável, famílias recompostas e novos modelos de convivência enfrentam lacunas jurídicas na hora da partilha de bens. 

Com as novas regras, o direito sucessório passa a reconhecer oficialmente essa diversidade, reduzindo disputas e incertezas. 

Além disso, permitir maior autonomia no testamento traz equilíbrio e respeito à vontade individual, algo essencial para quem deseja organizar seu legado com clareza. 

Se aprovadas, as mudanças podem gerar reflexos diretos: 

  • Maior necessidade de planejamento sucessório preventivo; 
  • Valorização do testamento como ferramenta jurídica estratégica; 
  • Redução de conflitos em famílias com múltiplos vínculos; 
  • Atualização de contratos e regimes de bens. 

O momento é de atenção e preparo jurídico. Cada caso exigirá uma análise personalizada, especialmente em situações de união estável, separações anteriores e herdeiros de diferentes núcleos familiares. 

O debate sobre as novas regras de herança é mais do que uma discussão jurídica, é um reflexo das transformações sociais do Brasil. 

Independentemente do texto final aprovado, uma coisa é certa: organizar o patrimônio em vida continuará sendo o caminho mais seguro para garantir justiça, tranquilidade e respeito às vontades familiares. 

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